Estudantes de medicina fazem uso indiscriminado de medicamentos controlados

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Para vencer o cansaço e as maratonas de estudos, alunos de medicina fazem uso indiscriminado de medicamentos controlados. De acordo com uma reportagem da Revista Trip dessa semana, nas faculdades de medicina o fácil acesso a drogas como Stavigile, Venvanse e Ritalina tem criado uma cultura de uso indiscriminado.

A lista de medicamentos ainda incluí Provigil, Eranz, Concerta, Modafinil e Metilfenidato. Receitados para pessoas com déficit de atenção, hiperatividade, entre outros diagnósticos, há uma crença de que essas drogas aumentam a produtividade e atenção de quem precisa trabalhar ou estudar durante horas sem parar.

Isso ocorre porque esses remédios atuam no sistema nervoso e acelera a liberação de hormônios que controlam, entre outros fatores, o humor, a ansiedade e o sono. Os efeitos não é nenhuma novidade. Visto que Anfetaminas são usadas há décadas com esse mesmo proposito.

A Trip ouviu vários relatos de estudantes de medicina que contam que o caminho que os levaram até o uso de medicamentos psicoestimulantes se deu pela pressão e a alta carga de estudos. Muitos dos estudantes são recém-chegados a faculdade e apegados ao desejo de salvar vidas, mas se deparam com a necessidade de absorver um denso conteúdo em um curto espaço de tempo e aulas pesadas.

O problema está relacionado à saúde. E não é ironia. Em abril deste ano, alguns estudantes da USP tentaram suicídio na véspera de uma prova de clínica médica. Segundo um estudo publicado em 2015 no American Journal of Preventine Medicine, os agentes de saúde – incluindo os estudantes – estão entre os três perfis de profissionais que mais se matam.

Especialistas afirmam que é preciso uma carga menor de estudos para os estudantes de medicina. Visto que o livro que deve ser decorado para a realização de uma prova no dia seguinte, por exemplo, não será lembrado três meses depois. Psiquiatras dizem que é preciso entender a fundo o uso de estimulantes por alunos.

“As pessoas tendem a se medicar em vez de pensar nas causas, mas esses remédios não curam nenhuma situação. Se um aluno tem que tomar Ritalina porque não dá conta do ritmo de trabalho, é importante questionar esse ritmo e se mobilizar. Entram em jogo também questões internas: será que são pressões só da faculdade? Será que ele também não se pressiona demais a ter determinado desempenho?”, disse à Revista Trip o psiquiatra Gustavo Alarcão.

Além do constante risco de dependência, o abuso de metilfenidato pode aumentar riscos cardiovasculares e psiquiátricos, segundo explicou o psiquiatra Arthur Guerra, supervisor do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Hospital das Clínicas. Ele explica que as pessoas quem não tem TDAH estimulam o sistema nervoso por uma razão que não existe, e o cérebro se acostuma com aquilo e cria uma dependência psicológica.